
Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigada a escutá-los, a dialogar com eles. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista. Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?
A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um «parvenu» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer "plof" e descer, liquidado. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.
2 comentários:
Muito bem senhorita! Toda uma nova decoração cá no estaminé e está hispectacular...
Bem, isso hoje é que foi um texto assim especial. Quase parece um texto de intervenção social: cantado pelo Abrunhosa virava sucesso...
Mas tens razão no que escreves. Infelizmente há muito disso, mas não sei o que seja pior: uma pessoa convencida ou uma pessoa sem confiança alguma e qualquer espírito de iniciativa!
E ironia das ironias, por vezes, as aparências iludem e as iludências aparudem... Quantas e quantas vezes um convencimento ou vaidade mais não é que uma máscara da própria insegurança?!
Cada vez mais me convenço desse facto. Um convencido e gabarolas não passa de uma pessoa insegura, com medo de não ser suficientemente bom/a. Enfim, cada um é como é... Eu continuo a achar que o melhor mesmo é sermos convencidos e vaidosos, mas ao mesmo tempo, seguros de nós próprios. Será que isso existe...?
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