Feeling a Moment.... that's the spirit!

Enfim...

    Tens nas mãos um mapa... elas sabem mais do que as minhas. Agora sei, não te deveria ter deixado entrar novamente na minha vida. Entraste por atalhos, caminhos que eu desconhecia. Agora sei... é tarde para tudo. Sem uma palavra, de novo me raptavas.... os descuidos pagam-se caro.  No fundo, no fundo eu tenho a certeza: o que tu queres é o segredo, o código da minha alma, a chave do meu pensamento. Para o meu corpo não é necessário. 

Limit To Your Love

Aqueles dias...

Como quem tece um xaile para o frio da alma, eu invento os teus braços nos meus ombros... o verão da tua boca na minha pele. No meu outono, agreste, invento-te. E a tua lembrança, que não foi nem houve, porque não existes... ou o teu destino é longe, e noutro lugar atravessa a noite.

É necessário sermos artistas!




Vivemos tempos imediatos, em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor (de cabeça ou do coração). Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho... 
Tomam-se conselhos e comprimidos... procuram-se escapes e alternativas, mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar... É preciso aceitar esta mágoa, esta moinha que nos despedaça o coração, que nos mói e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha. Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais... mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado. O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar. 

Hoje estou com Sigur Rós pela casa!:-)

Ahhhhhhreeee!!!


      Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigada a escutá-los, a dialogar com eles. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear. 
       Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista. Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?

        No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil. Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. 
         A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um «parvenu» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro. Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer "plof" e descer, liquidado. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi. 

Porque me apetece... e porque é a música que me acalma o espírito.

Quem és tu?

      Sem música não poderias viver a tua vida. Não é uma distracção, é uma dependência. Deve ter a ver com a harmonia das esferas, a consonância de tudo o que és e vais sendo, um acorde em Si menor. Só a musica te traz à alma o alento indispensável para que te possas levantar, vencer a gravidade da terra. Isso é uma certeza, não vale a pena pensares nela. (Ouvindo Madrugada): "So am I....? Good or bad.... "
      És como és.... não gostas de dar trabalho a ninguém e detestas incomodar quem quer que seja. Não queres ficar a dever nada a ninguém, se isso for possível. Mas a quem agradecer tudo o que existe sem nada te pertencer: o ar que respiras, o chão que suporta os teus passos, o alimento que te faz carne e saliva e matéria sensível. Sim, o que tu és, é matéria sensível: uma absoluta contradição num existir impossível. Gostas de passar despercebida, seguir intocável por entre as pessoas. Tudo menos pensar no que te preocupa a esta hora em que o sol bate sem clemência. 

      Não amaremos talvez insuficientemente a vida? Já notaste que só a morte desperta os nossos sentimentos? Como amamos os amigos que acabam de deixar-nos, não achas?! Admiramos os nossos mestres que já não falam, com a boca cheia de terra! A homenagem surge, então, muito naturalmente, essa mesma homenagem que talvez eles tivessem esperado de nós, durante a vida inteira. Mas sabes porque nós somos sempre mais justos e mais generosos para com os mortos? A razão é simples! Para com eles, já não há deveres. 
      É assim o homem, meu amigo, tem duas faces. Não pode amar sem se amar. Observa os teus vizinhos... se  alguém morre no prédio, na aldeia, alguém que conhecias da faculdade.... Dormiam na sua vida monótona e eis que, por exemplo, morre o dono da taberna. Despertam imediatamente, atarefam-se, enchem-se de compaixão. Um morto no jornal e o espectáculo começa, finalmente. Têm necessidade de tragédia, pois então!! É a sua pequena transcendência, é o seu aperitivo.
      É preciso que algo aconteça, eis a explicação da maior parte dos compromissos humanos. É preciso que algo aconteça, mesmo a servidão sem amor, mesmo a guerra ou a morte. Vivam, pois, os enterros!!